Foto da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) nas versões digital e impressa — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) nas versões digital e impressa — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O salário médio de contratação no país em empregos com carteira assinada voltou a cair em maio e acumula uma queda de 5,6% em 1 ano, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência.

Em maio, o salário médio real de admissão foi de R$ 1.898, contra um valor de R$ 1.916 em abril, e de R$ 2.010 em maio do ano passado, em valores corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).


Nos cinco primeiros meses de 2022, apenas em abril o salário de admissão registrou aumento real. O valor médio de R$ 1.898 registrado em maio é o mais baixo desde dezembro de 2021.

Veja no gráfico abaixo:

De acordo com os dados do governo federal, foram criados 277 mil empregos com carteira assinada em maio deste ano. No ano acumulado no ano, o Brasil foram 1,05 milhão de vagas formais a mais.


Os números do Caged mostram, porém, que os salários médios iniciais continuam encolhendo. Em outras palavras, a recuperação do mercado de trabalho e a queda do desemprego ainda não refletem em uma melhora da renda – que segue sendo corroída pela inflação nas alturas e pelo elevado número de brasileiros em busca de uma ocupação.


"Essa queda no salário de salário de admissão já foi até pior. Mas isso não significa que o salário daqui a pouco vai começar a apresentar ganho. Provavelmente, não vai. Quem está entrando no mercado de trabalho, está predominantemente aceitando um salário menor do que se pagava 12 meses atrás", afirma Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), destacando que o país ainda reúne 10,6 milhões de desempregados em busca de uma vaga no mercado de trabalho.

Levantamento feito recentemente pela CNC mostrou que, entre as 140 profissões com maior volume de contratações, em apenas 8 o salário de admissão conseguiu bater a inflação no último ano.


Maiores e menores salários iniciais

Entre os 21 principais grupamentos de atividades econômicas, os menores salários de contratação em maio foram em vagas em serviços domésticos, alojamento e alimentação e no comércio. Já as maiores remunerações iniciais foram pagas em ocupações em atividades financeiras, no setor de eletricidade e gás e em organismos internacionais. Veja quadro abaixo:


Serviços Domésticos
1 343
Alojamento e Alimentação
1 494
Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas
1 645
Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e AqÜIcultura
1 660
Atividades Administrativas e Serviços Complementares
1 767
Água, Esgoto, Atividades de Gestão de Resíduos e Descontaminação
1 793
Atividades Imobiliárias
1 839
Indústrias de Transformação
1 906
Transporte, Armazenagem e Correio
1 914
Outras Atividades de Serviços
1 945
Construção
1 951
Artes, Cultura, Esporte e Recreação
1 979
Educação
2 026
Saúde Humana e Serviços Sociais
2 066
Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas
2 561
Administração Pública, Defesa e Seguridade Social
2 727
Indústrias Extrativas
3 074
Informação e Comunicação
3 719
Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados
3 940
Eletricidade e Gás
3 944
Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais
5 682


Os salários iniciais também seguem menores que as remunerações médias dos profissionais que saíram das vagas. Em maio, o salário médio real dos trabalhadores demitidos foi de R$ 1.957. Ou seja, 3,15% acima do salário médio de contratação (R$ 1.898).

Setor de serviços é destaque na criação de vagas


O setor de serviços, o mais atingido pela pandemia e o que mais emprega no país, segue como o principal destaque na geração de novas vagas formais do país, sendo responsável por 62,6% do saldo de empregos criados nos 5 primeiros meses do ano, de acordo com os dados do Caged.

No ano, o saldo é positivo em praticamente todas as atividades econômicas, com destaque para a indústria de transformação, construção, educação e atividades administrativas. Veja quadro abaixo:


Total
1051503
Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura
49245
Indústria geral
174781
Indústrias Extrativas
6134
Indústrias de Transformação
155055
Eletricidade e Gás
−277
Água, Esgoto, Atividades de Gestão de Resíduos e Descontaminação
13869
Construção
155507
Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas
13862
Serviços
658112
Transporte, Armazenagem e Correio
64704
Alojamento e Alimentação
70265
Informação e Comunicação
41080
Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados
18713
Atividades Imobiliárias
5443
Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas
61544
Atividades Administrativas e Serviços Complementares
104834
Administração Pública, Defesa e Seguridade Social
29429
Educação
137209
Saúde Humana e Serviços Sociais
64138
Artes, Cultura, Esporte e Recreação
12749
Outras Atividades de Serviços
47887
Serviços Domésticos
63
Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais
54